sexta-feira, 20 de março de 2009

POSSIBILIDADE DE ACESSO DA POPULAÇÃO AOS REGISTOS DE CRIMES, VIA INTERNET

Os crimes da vizinhança à distância de um clique JORNAL DE NOTÍCIAS
17 Março 2009

«Segurança. O Governo está a avaliar a hipótese de ser dado acesso público, através da Internet, aos registos diários dos crimes que acontecem em qualquer zona da cidade. Há quem receie a criação de alarmismos e há quem entenda que pode ajudar a criar uma cultura de segurança e a apoiar a polícia

Os 'mapas dos crimes' são usados pela PSP para planear o patrulhamento.
Saber, quase em tempo real, os crimes que aconteceram, na nossa rua, através de um simples clique no botão do computador, pode parecer assustador. Mas em alguns países, como os Estados Unidos (EUA) ou a Inglaterra, o acesso a esta informação já não amedronta ninguém. Pelo contrário, é uma ferramenta poderosa no combate ao crime, na medida em que aproximando mais os cidadãos da realidade em matéria de segurança, os torna mais conscientes para apoiar os policiamentos de proximidade.

É, pelo menos, este o principal argumento dos defensores da introdução desta medida em Portugal. Acabar com os 'tabus' sobre a informação relativa á criminalidade e envolver os cidadãos nas políticas de segurança.
O professor do ISCTE e vice-presidente do Observatório para a Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT), Paulo Pereira de Almeida, é favorável ao acesso público dos chamados "mapas do crime". Na sua opinião, "nos países onde foi introduzida, esta medida revelou-se muito útil e de cidadania. Permitiu, por exemplo, comparar a área de residência com outras áreas semelhantes, conhecer como tem evoluído a criminalidade reportada nessas áreas e ajudou a identificar crimes e ocorrências".
Este investigador sublinha que os sistemas que "seguem as melhores práticas têm ligação directa para as Forças de Segurança, através de um clique de um botão, e permitem aos cidadãos perceber o que está a polícia a fazer na sua zona e avaliar a eficácia das polícias no combate ao crime". Este especialista acredita que "um cidadão responsável e informado em matéria de segurança é um cidadão mais livre" e que este acesso contribui "para um maior envolvimento das pessoas no seu bairro e com a Polícia".

As reacções políticas são distintas da direita para a esquerda. Nuno Magalhães, deputado do CDS-PP, aplaude esta possibilidade e o seu partido vai fazer um projecto de resolução no parlamento a recomendar ao Governo que estude a possibilidade de introduzir o sistema. "Quanto mais transparência houver nesta matéria, mais as pessoas têm uma cultura de segurança", diz o deputado, que já foi secretário de Estado da Administração Interna. Magalhães acha que este é o "sentido mais operacional que podia haver do policiamento de proximidade".
Já António Filipe, do PCP, não se manifesta "muito entusiasta" com esta hipótese. Receia que "possa criar alarmismo junto à população e contribuir para políticas securitárias indesejáveis". Já para não falar, acrescenta, da "estigmatização inevitável de alguma áreas".

Da parte do Governo a reacção é proactiva. José Magalhães, secretário de Estado e coordenador do plano tecnológico do Ministério da Administração Interna, disse ao DN que está em "avaliação" esse acesso, nomeadamente através do "futuro portal da Segurança previsto no Simplex 2009" e que "há boas práticas internacionais a ter em conta e opções a tomar quanto às séries estatísticas a usar".» JN
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