quarta-feira, 18 de março de 2009

TESTES DE ADN ILIBAM HOMEM PRESO HÁ 27 ANOS.

As notícias que vêm a lume revelam as virtualidades que a tecnologia tem como auxiliar da investigação e, sobretudo, a humanidade que emprestam ao permitir ilibar inocentes e libertar aqueles que a prova apontava como responsáveis por um determinado crime.

Porém, não pode acreditar-se na potencialidade ilimitada da prova genética e, sobretudo, não pode acreditar-se que é «a» prova que fará prescindir de todas as outras, uma vez que também ela é falível.

Para quem gosta destas matérias, é aconselhável que, a par das notícias que nos indignam - não porque se liberta um homem, mas porque se o manteve preso durante tantos anos sendo inocente - se leia quem alerta para os perigos da crença ilimitada na prova genética e na redenção do homem através da ciência.

Por exemplo:

* João Arriscado Nunes, Helena Machado e Susana Costa: «Política molecular» e «cidadania genética» em Portugal.

* João Arriscado Nunes, «Direito, Ciência e Tecnologia: articulações e conflitos».

A notícia que deu o mote a esta prosa é a que se segue e que foi lida no Jornal de Notícias.

«Testes de ADN ilibam homem preso há 27 anos
Um cidadão britânico que passou 27 anos na prisão viu sua sentença anulada, depois de testes de ADN terem comprovado que era inocente do homícidio por que fora condenado.

O tribunal de recursos britânico determinou, com base nos testes genéticos, que Sean Hodgson, 57 anos, não foi o autor do homícidio de Teresa de Simone em 1979.

Teresa de Simone, então com 22 anos, foi encontrada estrangulada no interior do seu automóvel estacionado à porta do bar onde trabalhava no Sudoeste de Inglaterra.

Na altura do crime e do julgamento de Hodgson, no início dos anos 80, não eram ainda utilizados testes de ADN na investigação criminal e de acordo com a polícia britânica os testes recentes revelaram que Hodgson - que inicialmente confessou o crime mas depois afirmou ser inocente - não foi o autor do homicídio.

Na altura do julgamento, os advogados de defesa alegaram que Hodgson tinha disturbios psicológicos, incluindo o ser um mentiroso patológico, e que a confissão era falsa».
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