quinta-feira, 6 de agosto de 2009

DETERMINAÇÃO DO MOMENTO DA PRÁTICA DO FACTO: MEDICINA LEGAL E ENGENHARIA DOS MATERIAIS

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Método inovador para ciências criminais e forenses permite conservar vestígios de explosivos ou drogas, diz investigadora do Centro de Engenharia Mecânica da Universidade

Investigadores da Universidade de Coimbra fizeram uma descoberta fundamental para a investigação criminal: detectar impressões digitais - através da análise das armas do crime, brancas ou de fogo - que denunciam o momento em que os actos foram cometidos.

O método desenvolvido pelos investigadores irá permitir a detecção, revelação e conservação das impressões digitais deixadas em materiais metálicos, ao mesmo tempo que registará também outros vestígios deixados no cenário do crime, como de explosivos e de estupefacientes.

Os vestígios que através dos tradicionais métodos lofoscópicos poderiam escapar anteriormente à investigação agora serão detectados com rigor e minúcia.

"Para além da vantagem deste novo método de visualizar que ajuda a desvendar um número enorme de impressões digitais latentes (invisíveis), esta técnica permite também estudar a idade das impressões digitais, uma vez que foram testadas as diferenças dos vestígios em superfícies metálicas, deixadas a umas horas, dias e um mês", revela Sofia Ramos, coordenadora desta pesquisa realizada no âmbito de um trabalho de mestrado da aluna Ana Sofia Peixoto.

A investigação, realizada no Centro de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra (CEMUC), contou com a ajuda de seis microscópios electrónicos. "O novo método é baseado na pulverização catódica, isto é, uma técnica versátil e flexível de deposição física em fase de vapor que já foi validada positivamente por uma especialista do Laboratório de Polícia Científica, Maria de Fátima Machado, que fez parte do júri do mestrado", disse Sofia Ramos ao DN.

A investigadora auxiliar do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, já pós-graduada, mas com formação-base em engenharia química explica a génese deste avanço científico: "Este trabalho começou, desde logo, baseado na noção de que a ciência dos materiais, designada a engenharia de superfícies, poderia dar um contributo para as ciências forenses, e este trabalho foi efectuado em colabo- ração com o Núcleo de Polícia Científica da Directoria do Centro da Polícia Judiciária".

Traçar um perfil exacto de um suspeito poderá ser uma das inúmeras vantagens deste método, que "usa, neste caso, filmes finos de ouro e cobre, com uma espessura de 20 a 30 nanómetros (os tais 20 a 30 milhões de vezes o milímetro)". É a nanotecnologia ao serviço das ciências criminais.

A equipa de investigação acrescentou ainda que este método é dirigido "essencialmente" para a solução de crimes complexos , "que exigem métodos mais expeditos e actuais".

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