sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A ARTE COMO ARMA


PROJECTO  MUITO INTERESSANTE: A ARTE COMO ARMA IDEOLÓGICA

"Terracotta Daughters , é o novo trabalho de Prune Nourry, composto por 116 esculturas de meninas, em terracota e em tamanho real, que utiliza o mesmo barro e a mesma técnica de reprodução dos guerreiros destinados a proteger o imperador chinês Qin Shi Huang para toda a eternidade. As guerreiras aqui representadas não têm defensores, algumas nunca nasceram, outras não subsistiram. Elas simbolizam as mulheres desaparecidas na China devido à política do filho único.


Para além do forte desequilíbrio de género no país que esta política criou, o rácio é de 118 homens para 100 mulheres, temos também como consequência o abandono de recém-nascidos, os abortos em função do sexo, os raptos de raparigas, casamentos forçados e um desrespeito absoluto pelos Direitos Humanos. O relato sobre um episódio de aborto forçado aos 7 meses de gravidez, conduzido pelas autoridades chinesas já aqui foi destacado .
Em 2010 Prune Nourry havia já exposto o trabalho Holy Daughters , que punha o dedo na ferida do aborto selectivo em função do sexo, desta feita na Índia, onde explorou o paradoxo de a vaca ser uma animal sagrado e símbolo de fertilidade ao mesmo tempo que as mulheres são consideradas um fardo e tal como na China as consequências que daí advêm. Prune criou várias esculturas em resina com cabeça de vaca e corpo de mulher. Expôs, fotografou e filmou. Agora, Terracotta Daughters é a continuação da série.
A artista francesa de 28 anos avançou para a segunda série depois de algumas reuniões com professores da Universidade de Xi'an e do contacto com a ONG The Children of Madaifu, fundada em 1999 por Marcel Roux, onde conheceu as 8 meninas órfãs que serviram de modelo às esculturas. A venda das 8 esculturas que representam as modelos garante 3 anos de estudos a cada uma delas. As 108 esculturas restantes são todas diferentes, a sua face é personalizada e assinada pelo artesão tornando-as assim únicas, à semelhança dos Guerreiros de Xi'an. As vestes militares foram substituídas pelos lenços ao pescoço dos uniformes escolares. A exposição está patente na Magda Danysz Gallery até 26 de Outubro em Shanghai.
Por cá, cada vez nascem menos meninas e menos meninos. Há desequilíbrios, para lá dos orçamentais, que ao serem ignorados saem caros às suas sociedades. Mas aí acho que voltamos ao plano das "ficções que funcionam".


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/o-exercito-de-terracota-as-guerreiras-de-xian=f833663#ixzz2gltRTHkI
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